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Cavalo – Origem e História

Cavalo – Origem, História e Evolução

O cavalo começou a evoluir no período Eoceno, entre 60 e 45 milhões de anos, sendo inicialmente um animal do tamanho de um cão (60 cm de comprimento e 40 cm de altura), com pernas longas e quatro dedos nas patas dianteiras e três nas patas traseiras. Foi chamado de Hyracotherium.

Hoje em dia este animal é considerado um paleoterídeo da família Perissodactyla, aparentado com os cavalos e brontotérios. Vivia por todo o Hemisfério Norte.

O primeiro fóssil deste animal foi encontrado na Inglaterra pelo paleontologista Sir Richard Owen (1804-1892) em 1841, que pensou que se tratava de um hyrax devido à sua dentição. Apesar de não ter o esqueleto completo resolveu chamar-lhe “besta parecida com um Hyrax” – Hyracotherium.


Em 1876 Othniel C. Marsh (1831-1899) encontrou o esqueleto completo na nos Estados Unidos, ao qual deu o nome de Eohippus (“cavalo da madrugada ou cavalo do amanhecer”). Quando se deu conta que os dois achados eram o mesmo animal o nome Hyracotherium tornou-se oficial e Eohippus acabou por ser um sinônimo.


Depois do Hyracotherium/Eohippus desenvolveu-se e transformou-se no Mesohippus, que era do tamanho de um cão Boxer. O Mesohippus ( do grego: meso “meio” e hippus “cavalo”) viveu à 40 milhões de anos atrás, no período Oligoceno, na América do Norte.


Diferentemente do seu antecessor, o Hyracotherium, o Mesohippus tinha pernas mais longas e somente com três dedos, sendo o do meio o que o sustentava, e media 60 cm de altura. A sua cara era mais longa e mais larga que a dos anteriores equídeos e apresentava uma ligeira fossa facial. Os seus olhos eram mais arredondados e estavam mais afastados.
Como o Hyracotherium, o Mesohippus se alimentava de fruta e grama. Tinha seis dentes largos, o seu hemisfério cerebral era bastante maior do que o dos seus antecessores, sendo do tamanho do cérebro do atual cavalo.


O Merychippus ou Meryohippus foi o sucessor do Mesohippus e viveu no inicio do período Mioceno também na América do Norte. Ela tinha três dedos em cada pé. Seu nome significa “cavalo ruminante”, mas a evidência atual não garante que Merychippus ruminava.


Continuou a evolução e em meados do período Mioceno (cerca de 12 milhões de anos atrás) surgiu o Pliohippus, provavelmente a partir de Calippus. Era de aparência semelhante ao Equus mas tinha dois longos dedos extras em ambos os lados do casco. Os membros longos e finos de Pliohippus revelam a sua adaptação para correr. Sobreviveu durante 10 milhões de anos.
A um milhão de anos atrás surgiu o Equus, o cavalo moderno, porém foi extinto no seu habitat natural que era a América do Norte.

O cavalo moderno mede de 1,50cm a 1,60cm de altura, tendo raçar que podem chegar até 2,10cm, pesa entre 330kg a 550kg ou mais, vive até aos 30 anos e tem um período de gestação de 336 dias.


Existem hoje no mundo cerca de 200 raças de equinos.


HISTÓRIA


No sítio de Botai no norte do Cazaquistão, datado entre 3.500 e 3.000 a. C., foram encontrados vestígios que a região era especializada na criação de cavalos de montaria que eram usados na caça e preação de outros cavalos para serem abatidos para o consumo de sua carne, base alimentar da população.


Estudiosos admitem que foi ai, em 7.500 a.C que primeiro os cavalos foram usados como montaria e que as éguas foram ordenhadas. Os únicos animais domésticos existentes na época eram os cavalos e os cães. Não possuíam bovinos ou ovinos e não conheciam a roda.


Na Mesopotâmia os registros mais antigos mencionando o cavalo datam de 2.100 anos a.C.


Cerca de 1.400 antes de Cristo, no novo reino dos Hititas viveu Kikkuli na cidade de Mitanni, que escreveu o primeiro trabalho sobre adestramento e doma de cavalos.

A carruagem tracionada por cavalos foi inventada cerca de 2.000 a. C., mas não existe certeza onde isto aconteceu. Elas foram encontradas em túmulos nas estepes eurasianas datados deste período, o que pode ser a sua origem. Daí a invenção espalhou-se através dos Elamitas para toda a Mesopotamia durante a terceira dinastia de Ur.

Por outro lado ela pode ter sido inventada no Oriente Médio e depois ser difundida para as regiões do norte. Independente de sua origem as carruagens eram muito caras, assim como os cavalos (geralmente importados) para tracioná-las tinham que ser especialmente treinados para esta função. A posse de uma carruagem era um sinal de status. Logo depois de inventadas as carruagens foram adaptadas como carros de combate para os exércitos da região passando a ser um fator decisivo para vencer uma batalha.

 

 

Até o ano 1.800 a. C. a equitação não era praticada pelos nobres. Em 1779 a.C um conselheiro do rei Zimri-Lim de Mari, no Oriente Médio, alertava-o que não era nenhum desmerecimento para ele e a nobreza montar os cavalos ao invés de andar de carruagens. Ele iniciou a prática e foi logo seguido por toda a corte. Foi isso que deu grande impulso ao desenvolvimento da equitação.

Em 797 d. C. foi instalado na França o primeiro serviço de correios da Europa, usando cavalos para transportar os malotes de correspondências.

O cavalo-de-przewalski foi descrito pela primeira vez pelo militar e naturalista amador russo Nikolaï Mikhaïlovitch Przevalski (1839-1888) em 1881, que viajou à sua procura após se deparar com relatos da sua existência. A descoberta gerou o interesse de vários jardins zoológicos europeus, que adquiriram cerca de 20 exemplares. A população selvagem desapareceu na década de 1960, tendo o último animal selvagem sido registrado em 1969.


O cavalo-de-przewalski (Equus przewalskii) é uma espécie de equídeo, nativa dos desertos da Mongólia, que se encontrava extinta na natureza, mas graças a um projeto internacional, esta espécie foi reintroduzida no seu habitat natural.
É muito semelhante ao cavalo comum, porém mais robusto e menor. Os adultos medem cerca de 2 metros de comprimento e pesam em média cerca de 300 kg. A sua pelagem é castanha parda e a crina, erecta, é de cor negra. Alguns exemplares têm as patas riscadas, fazendo lembrar zebras.


O ‘Tarpan’ (Equus ferus) foi um cavalo selvagem que habitou a Eurásia. O último espécime morreu em 1909, em um zoológico de Moscou. Estudos genéticos recentes o apontam como um dos ancestrais do cavalo comum.

A raça portuguesa Sorraia e os descendentes híbridos poloneses estão sendo usados por cientistas como meio de resgatar o Tarpan da extinção aparentemente definitiva.


Além da guerra, o cavalo era usado como animal de carga e de sela, e também atrelado produzia força para a movimentação de mecanismos destinados a moer grãos ou elevar água.


Em 1875, os acidentes nas estradas do Reino Unido envolvendo cavalos, feriu ou matou 1.589 pessoas.


Inicialmente os camponeses da Idade Média preferiam o boi para arar, plantar e outros trabalhos na agricultura, gradativamente foi sendo substituído pelo cavalo pela sua agilidade. No Brasil, o cavalo começou a substituir o boi apenas no século XVIII.


Quando da coroação de Carlos V (1500-1558) chegaram à cidade espanhola de Córdoba, os embaixadores do rei de Marrocos, para serem apresentados ao imperador.
Um dos cavalos da expedição por estar sofrendo com cólicas foi deixado numa pousada para ser cuidado. O cavalo se recuperou e foi vendido para um negociante de nome Guzmán e o cavalo ficou conhecido por este nome. Mais tarde o animal foi vendido para Luis Manrique, que era também criador de cavalos. Ele usou o cavalo para cobrir todas as éguas de sua propriedade e as crias fizeram uma boa figura.

Depois da morte do garanhão Guzman, um de seus filhos chamado Manrique (também nome do criador) passou a ser utilizado como reprodutor. Vários descendentes dele foram vendidos para Gonzalo, o duque de Sesa  que desenvolveu a criação. 


Em 1493, os cavalos espanhóis foram enviados para a América, desembarcando na ilha de Hispaniola (hoje Haiti e República Dominica), sendo os antepassados diretos, de todos os cavalos “Crioulos” americanos. A criação estendeu-se para as outras ilhas das Antilhas e passou ao continente. Panamá e a Colômbia foram as primeiras regiões em importância pelos seus rebanhos. Do Panamá passaram ao Peru, levados por Pizarro em 1532 e ali começaram a multiplicar-se.  Também ao Peru chegaram em 1538,  vários cavalos  provenientes da criação de Santiago de Uruba (Colômbia).

Charcas (atual cidade de Sucre na Bolívia) se transformou em um importante centro produtor de cavalos. 
São procedentes de Charcas os animais que Valdivia levou ao Chile (1541) e Diego de Rojas (1548) para Tucuman, e daí, em 1573, Luis de Cabrera para Córdoba e depois para Santa Fé.

 

Pedro de Mendoza (1535) e Alvar Núñez Cabeza de Vaca (1541), introduziram cavalos diretamente da Espanha no Rio da Prata e no Paraguai. Alonso Luis de Lugo trouxe da Espanha, para conquista de Nova Granada, “duzentos cavalos” e Hernando de Soto saiu de San Lúcar de Barrameda (1538), com “cem cavalos” para sua expedição na Flórida.
 
Na região do Rio da Prata, mais ou menos na mesma época, chegaram cavalos paraguaios, trazidos por Juan de Garay, descendentes dos que há 30 anos antes, Cabeza de Vaca introduzira diretamente da Espanha e dos que, em 1569, Felipe de Cáceres levou do Peru.

Do Paraguai procederam, também, os rebanhos equinos que chegaram à Buenos Aires (1580), levados por Juan de Garay e Juan Torres de Vera e Aragón a Corrientes, em 1588.


Do Chile chegaram à Argentina (1561), através de Cuyo, rebanhos trazidos por Francisco de Aguirre, Castillo e outros. Entraram no Chile, em 1605, os que levou do Rio da Prata o governador do Chile, Garcia Ramos, e os que, em 1601, levou de Tucumam o capitão López Vasques Pestaña.


A criação de cavalos se iniciou nas reduções do Rio Grande do Sul, em 1634, com os animais trazidos pelos padres jesuítas Cristóbal de Mendonza e Pedro Romero, provenientes de Corrientes.


Seja por abandono ou fuga o primitivo rebanho Crioulo se dispersou, formando enormes rebanhos selvagens, que no México e Estados Unidos chamaram de “mesteños” e “mustangs” e “cimarrones” nas Antilhas e América Central. 

No Rio da Prata os designaram como “baguales” ou “saguá” pelos indios do noroeste argentino.


Acredita-se que foi Juan de Oñate, em 1595, quem levou ao sudoeste dos Estados Unidos, os antepassados do “mustang“. Parte daqueles cavalos já domesticados se dispersou posteriormente das missões e fazendas atacadas pelos índios e constituiram o que a literatura americana chamou de “cavalos selvagens“, que foram os cavalos domesticados que tornaram selvagens.


No Brasil, os primeiros equinos chegaram a São Vicente em 1534, uma nova remessa chegou a Pernambuco em 1535 e Tomé de Souza trouxe uma terceira leva para a Bahia em 1549.
Também vieram alguns burros e jumentos. Com o cruzamento das éguas com os jumentos foi criado um respeitável rebanho de mulas.


No início do século XVIII a Coroa portuguesa proibiu estes cruzamentos que provocava a diminuição da oferta de cavalos que eram necessários nas campanhas militares de Portugal na África. Uma carta de Antônio Albuquerque Coelho de Carvalho, governador das Minas, para João V, datada de 1711, expôs as vantagens da recriação das tropas de cavalos em prol da infantaria na sua região.


MITOLOGIA


Segundo uma lenda árabe, certo dia Alá resolveu transformar o vento numa criatura e  a esta criatura ele deu o nome de cavalo. Ficou bastante satisfeito com a sua criação.


As deusas Célticas Epona e Aine podiam ser representadas pelo sol que corria pelos céus numa carruagem puxada por cavalos.


Na Irlanda, a deusa da guerra Macha, podia correr mais que o mais veloz dos cavalos, mesmo estando prenha.


Os cavalos podem representar transformações como na deusa da Suméria denominada Ereshkegal, cujo cavalo conseguia andar entre o limite da vida e da morte.


No Báltico, a deusa da morte Giltiné dirigia dois cavalos pretos.


No País de Gales, a deusa Rhiannon seguiu montada num cavalo branco para o outro mundo. Como castigo, foi forçada a transportar pessoas no seu lombo para o mesmo destino, como se fosse uma égua.


A folclórica personagem britânica de Lady Godiva¹, que assombrou Londres cavalgando nua, pode ser considerada uma extensão de uma lenda de uma deusa equina.


Uma deusa solar na figura de uma égua é conhecida na Índia, nas personagens da deusa Samjna e na sua dama de companhia Usas, que passeavam pelos céus numa carruagem puxada por fogosos cavalos baios.


Dois cavalos divinos puxavam a carruagem do deus Escandinavo Sol, enquanto a deusa Húngara Xatel-Ekua tinha o poder de cavalgar três cavalos ao mesmo tempo.


Também na Escandinávia, a deusa Nott dirigia cavalos pretos que puxavam a escuridão no céu, fazendo acontecer a noite. As Valquírias, um grupo de habilidosas amazonas, tinham a tarefa de transportar para o céu os homens mortos heroicamente na guerra.


As Amazonas, mulheres lendárias que guerreavam à cavalo, manejando com habilidade arco e flechas, tinham nomes derivados do étimo grego “hyppos” (cavalo) como Hipolita e Melanippe. Só permitiam pessoas dos sexo masculino na tribo apenas para se engravidar e extirpavam o seio esquerdo para facilitar o uso do arco. Foi daí que veio o nome ‘amazonas’ que significa ‘sem seios’.


A deusa Persa Anahita era transportada numa carruagem tracionada por 4 cavalos brancos, que significavam o clima.


Na Rússia, existe a lenda do fantástico cavalo Mora que matava pessoas enquanto elas dormiam.


NOTAS
1.Lady Godiva (cerca de 990? – 1067) foi uma aristocrata anglo-saxônica, esposa de Leofric (968–1057), Duque da Mércia.

 

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