Criadores de cavalos podem fortalecer atividades de equoterapia no País

“Muitos destes centros (de equoterapia) são filantrópicos, ou seja, atuam sem fins lucrativos. Manter um cavalo em uma grande cidade pode custar, em média, R$ 1 mil por mês. O valor cai para algo em torno de R$ 600, em um município do interior do País. Mesmo assim, o custo é alto”, informa o instrutor técnico de equitação da Ande-Brasil, coronel Juarez Marcon, também da Cavalaria do Exército Brasileiro. Foto: Divulgação Ande

Reconhecido no Brasil como tratamento terapêutico desde 1989, a equoterapia tem sido um recurso a mais na recuperação e reabilitação de pessoas com problemas físicos e psicológicos. Com maior divulgação, a cada ano a atividade mostra que o mercado de criação de cavalos, que também faz parte do agronegócio nacional, pode ir além do comércio interno e das exportações da carne, do esporte e lazer, e das exposições e concursos de animais de elite.

Os olhos da equinocultura podem se voltar, em forma de ações solidárias, para os centros de equoterapia. Tais entidades por serem, em sua maioria, filantrópicas muitas vezes se esbarram nos altos custos para se manter, financeiramente, de pé.

De acordo com o coronel Juarez Marcon, da Cavalaria do Exército Brasileiro e instrutor técnico de equitação da Associação Nacional de Equoterapia (Ande-Brasil), “toda atividade com cavalo é dispendiosa”.

“Muitos destes centros são filantrópicos, ou seja, atuam sem fins lucrativos. Manter um cavalo em uma grande cidade pode custar, em média, R$ 1 mil por mês. O valor cai para algo em torno de R$ 600, em um município do interior do País. Mesmo assim, o custo é alto”, informa o professor que, dos 75 anos de vida, dedica sete décadas a estes animais.

Hoje, a frota nacional é de aproximadamente 5,9 milhões de cabeças, o que coloca o Brasil entre o quarto e o sexto país em um ranking mundial (dados não atualizados), segundo informações da Universidade do Cavalo (UC). Conforme registro da Ande, o Brasil tem cerca de 280 centros de equoterapia cadastrados na instituição.

Para ajudar alguns centros, eventualmente criadores de cavalos costumam doar alguns animais mais velhos, que não servem para competições, por exemplo, mas ainda são aproveitados para este tipo de tratamento.

“A doação destes animais, em boas condições, é sempre bem vinda. Mas se os criadores, enquanto empresas, fornecessem rações – que muitas vezes são os próprios haras que as produzem -, medicamentos, trabalhos de ferradores e até médicos veterinários, muitos centros não estão estariam sofrendo para se manter. Além disso, qualquer doação pode ser deduzida do imposto de renda”, ressalta coronel Marcon, frisando que os centros de equoterapia “não devem ser tratados como descarte de animais”.

TIPOS DE CAVALOS

Os cavalos usados na equoterapia não precisam necessariamente ser de raça, podendo ser até um “pangaré”, desde que esteja em perfeitas condições físicas para as atividades que envolvem o tratamento, conforme destaca a Ande-Brasil.

Conforme artigo “O cavalo-tipo”, de Lelio de Castro Cirillo, professor de equitação e fundador da entidade no País, na hora de escolher um cavalo para equoterapia deve-se levar em conta, em primeiro lugar, a segurança física do praticante.

“A seleção e o treinamento do cavalo é muito importante, particularmente, quanto ao comportamento; as circunstâncias que possam assustá-lo, como cores, objetos, ruídos etc.; características físicas ou de conformação.” Além disso, Cirillo destaca que não existe uma raça própria para esse trabalho, e muito menos o cavalo ideal.

“O cavalo de equoterapia deverá ter as três andaduras regulares, que são o passo, o trote e o galope, ser equilibrado, ter altura mediana (cerca de 1,40 a l,50 m na altura do garrote)”, explica.

De acordo com Cirillo, o temperamento deve ser muito bem analisado, principalmente quanto: à docilidade; não ter medo ou ansiedade com os movimentos ao seu redor; ter interesse e curiosidade; não evidenciar reações de fuga ao lhe apresentar objetos estranhos; não possuir vícios comportamentais; tolerar mudanças de sons, direção e cenário.

Ainda segundo o professor, os treinamentos de um cavalo de equoterapia devem incluir:  guia; rédeas longas; aceitar carona; obediência à voz; não se perturbar com objetos e ruídos estranhos; encostar na rampa; aceitar todos os tipos de arreamentos.

 

AVANÇO DA EQUINOCULTURA

Uma das associações que, eventualmente, realiza campanhas para doação de cavalos, por parte de criadores aos centros de equoterapia no Brasil, é a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulo (ABCCC).

“A ABCCC incentiva o apoio às entidades que dispõem de equoterapia, pois entende que este é um serviço de grande importância e com resultados efetivos. Além disso, o cavalo Crioulo se adapta muito bem aos requisitos dessa prática, já que é uma raça de temperamento dócil, inteligente, longeva e de estatura mediana”, destaca a entidade, em nota enviada à Sociedade Nacional de Agricultura.

“Podemos afirmar que a equoterapia é um dos mais importantes avanços da equinocultura como um todo. Isto porque a utilização de cavalos como agente terapêutico e como melhorador da saúde psicológica e física dos praticantes é algo absolutamente único”, diz o médico veterinário Aluisio Marins, reitor da Universidade do Cavalo. Foto: Elayne Massaini/Divulgação U.C.

“Podemos afirmar que a equoterapia é um dos mais importantes avanços da equinocultura como um todo. Isto porque a utilização de cavalos como agente terapêutico e como melhorador da saúde psicológica e física dos praticantes é algo absolutamente único. Talvez o número de centros e de cavalos seja pequeno para o setor do agronegócio, mas a importância é muito grande”, ressalta o médico veterinário Aluisio Marins, reitor da Universidade do Cavalo (UC).

Ele reforça que, para ter estes animais em um centro de equoterapia, “o cavalo deve ser comprado, escolhido e analisado como qualquer outro de esporte, lazer ou trabalho. Mas muitos centros ganham os cavalos, por não terem condições financeiras para tal compra”, reforça Marins.

Responder